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Direitos Humanos · FGV · 2024

Questão comentada de Direitos Humanos

De acordo com a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), analise as afirmativas a seguir. I. A Corte IDH, no caso Tzompaxtle Tecpile vs. México, decidiu que qualquer figura de natureza pré-processual que busque restringir a liberdade de uma pessoa para conduzir uma investigação sobre delito que supostamente cometeu resulta intrinsecamente contrária ao conteúdo da Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) e viola de forma manifesta seus direitos à liberdade pessoal e à presunção de inocência. II. A Corte IDH, no caso Luiza Melinho vs. Brasil, concluiu que o Estado brasileiro não garantiu acesso à saúde da vítima em igualdade de condições, o que foi demonstrado por meio dos obstáculos para acessar a cirurgia de transgenitalização solicitada. III. No caso Manuela e outros vs. El Salvador restou decidido pela Corte I.D.H. que, quando do atendimento de uma mulher que praticou o aborto, clandestino ou não, os profissionais da medicina e de enfermagem não podem denunciar essa prática às autoridades. Deve-se resguardar o sigilo médico. Está correto o que se afirma em

Gabarito: C

A Corte Interamericana costuma olhar com muita desconfiança para medidas estatais que, antes mesmo de um processo penal andar, já prendem, expõem ou tratam a pessoa como culpada. No caso Tzompaxtle Tecpile vs. México, a Corte enfrentou uma figura pré-processual de restrição da liberdade e afirmou que esse tipo de mecanismo, quando usado para investigar suspeitas criminais, viola a liberdade pessoal e a presunção de inocência. Em prova, sempre desconfie de medidas que parecem “atalhos” do Estado para investigar, mas que atropelam garantias básicas da CADH, especialmente os arts. 7 e 8. A afirmativa II está errada porque a descrição não corresponde corretamente à jurisprudência citada. A Corte IDH não afirmou, nesses termos, que o Brasil negou acesso à saúde com base em uma cirurgia de transgenitalização em um caso chamado “Luiza Melinho vs. Brasil”; há um problema de enquadramento do precedente e da conclusão atribuída. Em prova da FGV, isso costuma aparecer como mistura de nome de caso com conteúdo jurídico de outro precedente ou com uma leitura exagerada do que a Corte realmente decidiu. Já a afirmativa III está correta. No caso Manuela e outros vs. El Salvador, a Corte reforçou a proteção ao sigilo profissional e à privacidade no atendimento em saúde, especialmente em contexto de aborto e de perseguição penal da mulher. A lógica é simples: profissionais de saúde não podem virar braço da acusação estatal toda vez que atendem uma paciente. O dever médico de sigilo, ligado também à dignidade e à intimidade, não some só porque o tema é sensível. Por isso, o gabarito é a letra C: estão corretas apenas I e III. A questão cobra exatamente essa leitura fina da jurisprudência interamericana, que a FGV adora transformar em armadilha elegante.

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