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Direitos Humanos · FGV · 2024

Questão comentada de Direitos Humanos

Carla foi aprovada no concurso de Delegada de Polícia do Estado Alfa, na cota reservada a pessoa com deficiência, iniciando seu curso de formação logo após a homologação do concurso. No final das aulas, Carla costumava voltar para casa na companhia de sua esposa, Joice, Policial Militar, que trabalhava próximo ao local em que era ministrado o curso. Isso chamou a atenção de alguns de seus colegas de concurso, que a interpelavam com piadas de cunho homofóbico e capacitista. O caso foi levado ao conhecimento das autoridades superiores responsáveis que iniciaram uma apuração informal. Em contraditório, os colegas alegaram se tratar apenas de uma brincadeira, sem cunho ofensivo, tendo a apuração sido encerrada sem qualquer formalização. Considerando a situação exposta, é correto afirmar, com base nas Diretrizes Nacionais de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos dos Profissionais de Segurança Pública (Portaria Interministerial nº 2, de 15 de dezembro de 2010), que a Polícia Civil do Estado Alfa

Gabarito: A

As Diretrizes Nacionais de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos dos Profissionais de Segurança Pública, da Portaria Interministerial nº 2/2010, tratam a corporação como um espaço que também deve proteger direitos humanos dentro de casa, e não só para fora, na rua. Isso inclui combater discriminação, assédio moral e sexual, homofobia e qualquer forma de violência institucional, com ações preventivas, educativas e de apuração adequada dos fatos. No caso, a situação narrada mostra justamente um ambiente hostil e discriminatório contra Carla, com piadas homofóbicas e capacitistas. A resposta institucional não pode ser uma “conversa de corredor” que termina em nada, porque as diretrizes exigem medidas formais de prevenção, promoção da cultura de não discriminação e proteção da dignidade dos profissionais de segurança pública. Por isso, o gabarito é a letra A: ela aponta que a Polícia Civil deve combater a homofobia, o assédio sexual e moral, disseminar a cultura da não discriminação e produzir materiais educativos sobre direitos humanos. Isso está em linha com a lógica das diretrizes de 2010, que valorizam formação, sensibilização e enfrentamento institucional das violações. As demais alternativas tentam empurrar a ideia de que a corporação só cuida da missão policial, ou que o tema deve ficar restrito ao Judiciário ou a outro órgão. Não é isso. Em direitos humanos, a administração pública também tem dever ativo de prevenção e promoção, especialmente quando o problema nasce dentro da própria instituição.

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