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Direitos Humanos · FGV · 2024

Questão comentada de Direitos Humanos

O Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça está baseado no Protocolo para Juzgar con Perspectiva de Género, criado pelo Estado do México, após uma determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Este protocolo é um instrumento adicional para promover a igualdade de gênero, alinhando-se ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 5) da Agenda 2030 da ONU. Segundo as disposições constantes no referido protocolo, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: D

O Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do CNJ foi criado para ajudar o julgador a enxergar o que muitas vezes fica escondido no processo: desigualdades estruturais, estereótipos e relações assimétricas de poder. A ideia não é "decidir sempre a favor" de um grupo, mas julgar com mais contexto, técnica e sensibilidade às desigualdades reais, evitando que a neutralidade aparente vire injustiça prática. Esse modo de julgar conversa muito com a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), com a Convenção de Belém do Pará e com a jurisprudência internacional sobre dever de devida diligência e eliminação de estereótipos. No Brasil, o CNJ institucionalizou essa orientação para orientar magistradas e magistrados a identificar vieses e desigualdades ocultas nos casos concretos. A alternativa correta é a letra D porque o Protocolo trabalha com a noção de interseccionalidade: a opressão de gênero pode se combinar com raça, classe, deficiência, orientação sexual, idade, entre outros fatores. Isso se relaciona diretamente com a ideia de discriminação múltipla ou agravada, reconhecida em instrumentos interamericanos, como a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância. Em resumo: o protocolo não manda "favorecer alguém", mas manda enxergar a realidade por inteiro. Em concurso, desconfie quando a alternativa disser que o método exige neutralidade abstrata ou que a perspectiva de gênero elimina a imparcialidade do juiz. O caminho é justamente o contrário: mais contexto para julgar melhor.

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