← Questões de Direitos Humanos

Direitos Humanos · FGV · 2022

Questão comentada de Direitos Humanos

Determinado agente público, ao interpretar a Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, afirmou que a sua organicidade interna impedia a sua interpretação fragmentada, permeada por normas do direito interno. A partir dessa premissa, concluiu que a legislação nacional, quando veicula comandos de contornos mais amplos, deve ser preterida, já que a combinatória de normas, ainda que mais favorável à pessoa humana, romperia com o equilíbrio do sistema e conduziria a resultados absurdos. É correto afirmar que a conclusão do agente público

Gabarito: B

A Convenção Contra a Tortura não fecha a porta para normas internas mais protetivas. Pelo contrário: ela diz expressamente que sua definição de tortura não prejudica qualquer instrumento internacional ou legislação nacional com alcance mais amplo. Em português claro: se a lei interna protege mais, ela pode e deve conviver com a Convenção. Isso aparece de forma bem direta no artigo 1, item 2, da própria Convenção. A lógica aqui é a da máxima proteção à pessoa humana, muito usada em Direitos Humanos: em vez de cortar direitos, você soma proteções. Nada de tratar a norma interna mais favorável como uma intrusa no sistema. Então a conclusão do agente público está errada porque a Convenção rejeita justamente essa ideia de que a legislação nacional mais ampla teria de ser afastada para preservar um suposto equilíbrio abstrato. Em Direitos Humanos, o equilíbrio costuma pender para a proteção da vítima, não para a economia formal do sistema. Por isso o gabarito é B: a própria Convenção prevê que normas internas ou internacionais com proteção mais ampla permanecem válidas e relevantes, sem qualquer veto por “fragmentação” interpretativa.

Continue treinando

Questões relacionadas