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Direitos Humanos · FGV · 2022

Questão comentada de Direitos Humanos

João decidiu dedicar suas reflexões à importância do direito humanitário, considerando a perspectiva do direito internacional público, na evolução dos direitos humanos. Em suas primeiras reflexões, concluiu que o direito humanitário era expressão da fraternidade, conforme expressava o ideário da Revolução Francesa, que buscava reforçar a soberania estatal, especialmente nas relações internacionais, a partir do redimensionamento das relações do Estado com a pessoa humana, passando a ser sensível às suas agruras e necessidades. Esse redimensionamento da soberania estatal se espraiou para as relações internacionais e direcionou o surgimento dos direitos humanos, de viés puramente convencional. A respeito do direito humanitário e dos direitos humanos, à luz do pensamento contemporâneo, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

O direito humanitário, especialmente o Direito Internacional Humanitário (DIH), nasceu para impor limites à guerra e proteger pessoas que não participam diretamente dos combates. Em vez de reforçar a soberania estatal, ele funciona como um freio: o Estado continua soberano, mas não pode agir como se tudo fosse permitido em nome da guerra. A lógica aqui é bem menos glamour e bem mais contenção, porque o centro passa a ser a dignidade da pessoa humana. Nesse ponto, a afirmação de João erra ao tratar o direito humanitário como expressão de fortalecimento da soberania. O movimento histórico foi justamente o contrário: regras internacionais foram criadas para vincular os Estados, inclusive em situações de conflito armado, reduzindo a ideia de soberania absoluta. Convenções como as de Genebra mostram isso com clareza, ao estabelecer deveres humanitários mínimos e proteção a feridos, prisioneiros e civis. Além disso, o direito humanitário é um importante antecedente da internacionalização dos direitos humanos. Ele antecipa a noção de que existem limites internacionais ao poder estatal e que a proteção da pessoa humana não depende só da vontade do Estado. Depois, essa lógica se amplia com a ONU e com tratados como o PIDCP e o PIDESC. Por isso, o gabarito é a letra B: João está errado ao identificar o direito humanitário como exemplo de fortalecimento da soberania estatal nas relações internacionais. Na verdade, o DIH é um dos marcos que mostram a soberania sendo relativizada pelo direito internacional em favor da proteção humana.

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