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Direitos Humanos · FGV · 2016

Questão comentada de Direitos Humanos

Você, na condição de advogado(a) comprometido com os Direitos Humanos, foi procurado por José, que é paraplégico e candidato a vereador. A partir de denúncia feita por ele, você constatou que um outro candidato e desafeto de José, tem afirmado, em programa de rádio local, que não obstante José ser boa pessoa, o fato de ser deficiente o impede de exercer o mandato de forma plena, razão pela qual ele nem deveria ter a candidatura homologada pelo TRE. Com base na hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a resposta que, juridicamente, melhor caracteriza a situação.

Gabarito: C

Aqui a ideia central é simples: deficiência não tira de ninguém a capacidade de exercer direitos políticos. A Constituição garante igualdade e proíbe discriminação, e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) reforça que a pessoa com deficiência tem direito à participação política em igualdade de oportunidades, inclusive para ser candidata e exercer mandato. Ou seja, o argumento de que alguém "nem deveria concorrer" só por ser paraplégico é juridicamente ofensivo e discriminatório. O ponto mais importante da questão é que o problema não é apenas uma fala infeliz ou uma crítica política dura. Quando alguém afirma, em programa de rádio, que a deficiência impede o exercício do mandato e usa isso para desqualificar a candidatura, há ataque à dignidade e também estímulo à discriminação por motivo de deficiência. Isso encaixa no tipo penal da Lei 13.146/2015, que pune induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de deficiência. Além disso, a lei prevê aumento de pena quando o crime é praticado por meio de comunicação social ou publicação de qualquer natureza. Rádio entra exatamente nessa lógica, porque amplia o alcance da ofensa e potencializa o discurso discriminatório. Por isso, o caso vai além do mero dano moral ou de uma discussão abstrata sobre liberdade de expressão. Em resumo: liberdade de expressão não é salvo-conduto para propagar preconceito. A crítica política pode ser dura, mas não pode transformar deficiência em motivo para excluir alguém da vida pública. Quando isso acontece, o Direito reage com firmeza, e a resposta juridicamente mais adequada é a responsabilização penal pela incitação à discriminação.

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