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Direitos Humanos · FCC · 2023

Questão comentada de Direitos Humanos

Considere o texto abaixo: Enquanto categoria de resistência, a amefricanidade nasce como uma tentativa de oferecer caminhos para pensar e intervir de forma imbricada sobre todas as formas de opressão. Congrega disputas que decorrem dos atravessamentos que o racismo, sexismo, cis-heterossexualidade compulsória, capitalismo, cristianismo, capacitismo e imperialismo impõem aos corpos e experiências moídos pela colonialidade. (PIRES, Thula. Direitos humanos e Améfrica Ladina: por uma crítica amefricana ao colonialismo jurídico, 2019) A construção dos direitos humanos a partir da categoria da “amefricanidade”, abordada no texto, consiste numa

Gabarito: E

A ideia de “amefricanidade”, trabalhada por autoras como Lélia Gonzalez e retomada no texto de Thula Pires, serve para enxergar os direitos humanos a partir da experiência concreta dos povos marcados pela colonialidade, especialmente a população negra nas Américas. Em vez de tratar o sujeito de direitos como se ele fosse neutro, universal e sem cor, essa leitura mostra que a própria noção de universalidade foi construída a partir de exclusões históricas. Na prática, a crítica amefricana diz: cuidado, porque o discurso clássico dos direitos humanos muitas vezes fala em nome de todos, mas escuta poucos. Racismo, sexismo, imperialismo e outras formas de opressão não aparecem como “desvio”, e sim como parte da estrutura que organizou quem pôde ser visto como humano pleno e quem ficou na margem. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela traduz exatamente essa crítica ao discurso hegemônico dos direitos humanos, baseado na universalidade de um sujeito de direito que foi forjado pela exclusão material, subjetiva e epistêmica dos povos subalternizados. É uma leitura que não pede só inclusão simbólica, mas questiona a base colonial do próprio discurso jurídico. Em linguagem de prova: a amefricanidade não é só uma nova etiqueta identitária. É uma chave crítica para reler os direitos humanos a partir da experiência negra, denunciando que a universalidade abstrata, quando não enfrenta a colonialidade, pode virar universalismo de fachada.

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