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Direitos Humanos · CESPE/CEBRASPE · 2023

Questão comentada de Direitos Humanos

Em 2019, o quadro Orixás, da pintora brasileira Djanira da Motta e Silva, até então a principal obra de decoração do Salão Nobre do Palácio do Planalto, foi injustificadamente retirado do local e enviado para o arquivo do Planalto, deixando de ser exibido ao público. No que se refere a esse episódio e aspectos a ele relacionados, assinale a opção correta

Gabarito: A

O tema aqui mistura liberdade religiosa, proteção da diversidade cultural e combate ao racismo religioso. No Brasil, o Estado é laico, mas isso não significa que a administração pública deva apagar a presença simbólica de manifestações religiosas ou culturais, nem tratar todas elas como se fossem equivalentes a uma invasão indevida do espaço público. O ponto central é verificar se houve discriminação contra religiões de matriz africana, o que pode caracterizar racismo religioso e justificar atuação do Ministério Público. É por isso que o gabarito é a letra A. O Ministério Público tem função constitucional de defender direitos coletivos e difusos e pode instaurar procedimento, inclusive inquérito civil, para apurar eventual lesão a esses direitos. Aqui, a retirada injustificada de uma obra com forte referência às religiões de matriz africana pode ser investigada como possível ato discriminatório, em linha com a proteção da igualdade, da liberdade de crença e da vedação ao racismo prevista na Constituição. A doutrina e a jurisprudência vêm reconhecendo que o racismo não se limita à raça em sentido biológico, alcançando também práticas de intolerância estruturais contra grupos historicamente vulnerabilizados. Nesse contexto, ofensa, apagamento simbólico ou hostilidade institucional contra cultos afro-brasileiros podem ser examinados como racismo religioso, especialmente quando há sinais de estigmatização dessas tradições. Em resumo: a questão não trata de mera escolha administrativa sobre decoração, mas de possível discriminação contra um patrimônio cultural-religioso. O MP pode, sim, averiguar o caso e buscar proteção institucional adequada.

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