Assinale a opção correta, com base nos conceitos doutrinários de universalismo e relativismo cultural.
- A)O universalismo de partida corresponde à proteção do localismo, sob as premissas de uma racionalidade material, que resiste ao universalismo colonialista, relacionando-se com as ideias de uma sociedade multicultural.
Errada, porque o universalismo de partida não protege o localismo nem se confunde com uma lógica multicultural de resistência.
- B)O relativismo cultural radical ainda é uma importante ferramenta dos direitos humanos, na medida em que considera as diferentes posições culturais, políticas e sociais sob uma perspectiva dialógica.
Errada, porque relativismo cultural radical tende a negar critérios universais e não funciona como ferramenta dialógica de direitos humanos.
- C)O universalismo de linhas paralelas corresponde a uma racionalidade que universaliza o particularismo, fruto do modelo de produção capitalista, conforme o qual todos têm direito por ter simplesmente nascido.
Errada, porque essa descrição mistura ideias de universalismo com particularismo de forma imprecisa e não corresponde ao conceito doutrinário apresentado.
- D)O universalismo de chegada corresponde a uma concepção discursiva, fruto do entrecruzamento dos diversos particularismos e o universal, em uma ampla gama de relações que envolvem o local–global e o global–local.
Certa, porque o universalismo de chegada é construído discursivamente pelo encontro entre particularismos e o universal, com diálogo entre local e global.
- E)O universalismo de confluência corresponde a uma concepção intercultural do universalismo, superando o paradigma inicial do multiculturalismo por um "multiculturalismo crítico ou de resistência", razão por que não se confunde com o universalismo de chegada.
Errada, porque o universalismo de confluência não é o mesmo que o universalismo de chegada, embora ambos dialoguem com a interculturalidade.
Gabarito: D
Na teoria dos direitos humanos, universalismo e relativismo cultural aparecem como duas formas de enxergar a relação entre valores comuns e diferenças culturais. O universalismo defende que certos direitos valem para todas as pessoas, mas a doutrina mais moderna evita um modelo autoritário e tenta dialogar com as particularidades locais. Já o relativismo lembra que culturas não são iguais e que impor um padrão único pode virar dominação travestida de proteção. A questão cobra justamente essas leituras doutrinárias mais finas, muito usadas em prova para separar quem decorou termos de quem entende o movimento das ideias. O chamado universalismo de chegada é uma visão discursiva, construída pelo encontro entre diferentes particularismos e o universal, em um processo de ida e volta entre o local e o global. Em outras palavras: não nasce pronto, ele vai sendo construído na conversa entre culturas. Por isso a letra D está correta: ela descreve esse universalismo de chegada como uma concepção discursiva, formada pelo entrecruzamento de particularismos e do universal, envolvendo relações local-global e global-local. Essa ideia dialoga com a noção contemporânea de direitos humanos como construção intercultural, e não como imposição unilateral. Para amarrar o tema: a Declaração Universal de 1948 afirma a universalidade dos direitos, mas a doutrina posterior passou a discutir como compatibilizar isso com diversidade cultural, especialmente em autores como Boaventura de Sousa Santos e Flávia Piovesan. O ponto central é que universalidade não precisa significar padronização cega.