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Direito Urbanístico · MPE-RJ · 2022

Questão comentada de Direito Urbanístico

Um Município pretende realizar uma operação urbana consorciada com o objetivo de revitalizar o bairro central da cidade, extremamente deteriorado. Acerca dessa hipótese, pode-se corretamente afirmar:

Gabarito: D

Operação urbana consorciada é um instrumento do Estatuto da Cidade usado para transformar uma área da cidade com intervenção coordenada entre Poder Público e particulares. A ideia é simples: o Município define, por lei específica, um perímetro, objetivos, regras e contrapartidas para viabilizar melhorias urbanísticas, sociais e ambientais. Não é uma obra improvisada no grito - tem rito próprio e precisa de base legal no art. 32 da Lei 10.257/2001. Nessa operação, a lei pode autorizar mudanças em índices de parcelamento, uso e ocupação do solo, além de normas edilícias, desde que isso esteja ligado ao projeto e ao impacto urbano e ambiental da intervenção. Ou seja, a operação urbana consorciada serve justamente para flexibilizar e reorganizar o espaço urbano de forma planejada, e não para ficar presa a todas as regras ordinárias da cidade como se nada estivesse mudando. O ponto que derruba muita gente é a parte financeira. O art. 34 do Estatuto da Cidade permite que a lei específica preveja a emissão de Certificados de Potencial Adicional de Construção - os famosos CEPACs. Esses certificados podem ser alienados em leilão ou utilizados diretamente no pagamento das obras necessárias à própria operação. É exatamente esse o acerto da alternativa D. Então, resumindo: operação urbana consorciada é instrumento de reestruturação urbana, depende de lei específica, pode mexer em parâmetros urbanísticos e pode usar CEPACs para financiar a intervenção. Quem conhece esses três pilares mata a questão sem sofrer no detalhe.

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