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Direito Urbanístico · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Urbanístico

O Estado do Rio de Janeiro, para o aprimoramento da gestão do saneamento básico prevista no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, iniciou obras para a implantação de um cinturão sanitário ao longo da Baía de Guanabara para coletar os esgotos lançados clandestinamente nas redes de drenagem pluvial, o que atinge a cidade de Niterói. Dada a dimensão do transtorno causado, o prefeito decidiu discutir judicialmente a questão. Sobre a impugnação da medida, é correto afirmar que o Estado do Rio de Janeiro:

Gabarito: B

O Estatuto da Metrópole (Lei 13.089/2015) criou uma lógica simples: em região metropolitana, o que é de interesse comum não pode ser decidido no modo “cada um por si”. A gestão de funções públicas de interesse comum, como saneamento básico em área metropolitana, deve observar uma governança interfederativa, com participação dos entes envolvidos e tomada de decisões compartilhada. Isso significa que o Estado não pode sair executando uma obra metropolitana relevante como se a Prefeitura fosse apenas espectadora. Quando a medida impacta diretamente o município e integra política urbana de escala metropolitana, a solução precisa passar pela estrutura de governança prevista no plano e no Estatuto, com cooperação entre Estado e municípios. É por isso que o gabarito é a letra B. Ela traduz a ideia central da lei: na Região Metropolitana, a implantação de ações comuns e a tomada de decisões devem ser compartilhadas. Não é uma questão de “autorização” simples, mas de deliberação conjunta dentro do arranjo federativo metropolitano. Em resumo: interesse local isolado não manda sozinho quando o problema é metropolitano. O Estatuto da Metrópole veio justamente para evitar que cada ente puxe o freio ou o acelerador sozinho em assuntos que transbordam fronteiras municipais.

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