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Direito Tributário · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Tributário

João (locador), firmou contrato de locação residencial com Maria (locatária), inserindo no contrato uma cláusula que transferia a responsabilidade tributária do recolhimento do IPTU e da taxa do serviço público de coleta domiciliar de lixo perante o Fisco Municipal para o locatário. Após firmado o contrato, João enviou cópia do contrato para a Secretaria Municipal de Fazenda, para ciência do órgão fazendário. Diante desse cenário, ciente de que o Código Tributário Municipal (CTM) local reproduz as mesmas normas do Código Tributário Nacional acerca da sujeição passiva, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Aqui a palavra-chave é sujeição passiva tributária. No IPTU, o contribuinte é o proprietário, o titular do domínio útil ou o possuidor com animus domini, e não o simples locatário. A locação residencial transfere apenas a posse direta, mas isso não faz de Maria sujeito passivo do IPTU perante o Município. O mesmo raciocínio vale para a taxa de coleta de lixo, se o CTM reproduz as regras do CTN. O ponto decisivo é que o contrato entre João e Maria produz efeitos entre as partes, mas não altera a relação jurídico-tributária com o Fisco. Pelo art. 123 do CTN, convenções particulares que tratem de responsabilidade pelo pagamento de tributo não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo. Em resumo: o contrato pode até dizer que Maria paga, mas o Município não precisa aceitar essa troca de cadeira. Além disso, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que o locatário, por ser mero possuidor direto decorrente de contrato de locação, não responde como contribuinte de IPTU perante o Fisco, salvo hipótese legal específica que o coloque nessa posição. Em regra, a obrigação tributária nasce da lei, não da criatividade contratual das partes. Por isso, a alternativa correta é a C: a transferência contratual da responsabilidade tributária não é oponível ao Fisco Municipal. João e Maria podem ajustar entre si quem arca com o custo econômico do tributo, mas isso não altera quem o Município pode cobrar.

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