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Direito Tributário · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Tributário

A Fazenda Nacional ajuizou execução fiscal em face da pessoa jurídica X, sujeito passivo devedor original da obrigação tributária. Posteriormente, a execução fiscal foi redirecionada para João, sócio-administrador da pessoa jurídica X, em razão da sua presumida dissolução irregular. Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

Aqui o ponto central é a responsabilidade do sócio-administrador quando a pessoa jurídica some do mapa. Em execução fiscal, a Fazenda pode pedir o redirecionamento contra o administrador se houver indícios de dissolução irregular da empresa, porque isso indica atuação com infração à lei e afasta a proteção normal do patrimônio da sociedade. O STJ consolidou isso na Súmula 435: presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixa de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes. Perceba a lógica: não é qualquer dívida da empresa que vira automaticamente dívida do sócio. O mero inadimplemento, sozinho, não gera responsabilidade pessoal, mas a dissolução irregular é outra história. Ela funciona como um atalho probatório aceito pela jurisprudência para justificar o redirecionamento da execução. Por isso a alternativa A está correta: se a pessoa jurídica deixou de funcionar no endereço fiscal e não avisou os órgãos competentes, a dissolução irregular pode ser presumida, legitimando a cobrança contra João. É a clássica situação em que a empresa "fecha as portas" e deixa o fisco conversando com a parede. O detalhe importante para prova é diferenciar inadimplemento simples de conduta ilícita do administrador. Na execução fiscal, isso muda tudo, porque a responsabilidade do sócio exige fundamento legal e, aqui, ele aparece pela presunção jurisprudencial de dissolução irregular.

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