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Direito Tributário · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Tributário

A União concede isenção de IPI a um setor produtivo. Em virtude disso, vários Municípios ajuízam ações contra o ente federal, sob alegação de lesão de seus interesses, por diminuição da arrecadação do IPI, o que afetará a parcela arrecadada deste imposto a ser entregue ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Diante desse cenário, é correto afirmar que:

Gabarito: D

Aqui a ideia central é simples: o IPI é um tributo federal, então a União pode mexer nele dentro da sua competência tributária. Se ela concede isenção, isso não significa, por si só, que está invadindo esfera dos Municípios. A vedação de isenção heterônoma, prevista no art. 151, III, da Constituição, impede a União de conceder isenção de tributos estaduais e municipais, não de tributos federais. Ou seja, a trava existe para proteger a autonomia tributária dos entes subnacionais, e não para limitar a União quando ela trata de imposto dela mesma. O ponto sensível da questão é o efeito indireto da isenção sobre o FPM. Como parte da arrecadação do IPI compõe o Fundo de Participação dos Municípios, uma redução na arrecadação pode diminuir o valor a ser repartido. Mas isso não transforma a parcela do FPM em um direito absoluto dos Municípios contra qualquer política tributária da União. O repasse do fundo depende da arrecadação e da disciplina constitucional de repartição, não de uma garantia de arrecadação mínima intocável. Por isso, o gabarito é a letra D: a União pode conceder o benefício fiscal, desde que respeite os requisitos constitucionais e legais aplicáveis às isenções. Em matéria tributária, quem concede benefício no tributo próprio atua dentro da sua competência, ainda que isso gere reflexos financeiros em outros entes. A Constituição não proíbe a União de desonerar o IPI só porque haverá impacto no FPM. Jurisprudencialmente, a lógica do STF é a de que não existe direito subjetivo do Município a impedir, por si só, a política tributária federal sobre imposto da União apenas porque ela repercute na repartição constitucional de receitas. O que existe é a disciplina constitucional do repasse, não um bloqueio automático à concessão da isenção.

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