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Direito Tributário · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Direito Tributário

Renato alugou de Luiz Fernando um imóvel situado em um bairro nobre da cidade de Orlândia. Ficou acordado entre eles que o pagamento do IPTU referente ao imóvel ficaria a cargo de Renato, enquanto durasse o período de locação. Ao ser informado do valor referente ao imposto, Renato se dirigiu ao órgão municipal competente e, diretamente, demandou administrativamente contra a pretensão fiscal. Considerando o caso hipotético, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

A questão gira em torno de uma regra clássica do Direito Tributário: a convenção entre particulares não altera, perante o Fisco, quem a lei escolheu como sujeito passivo. Em português claro: você pode combinar no contrato que uma pessoa vai pagar o tributo, mas isso vale entre as partes, não para a Administração Tributária. Essa ideia está no art. 123 do CTN. No caso do IPTU, o sujeito passivo legal é o proprietário do imóvel, o titular do domínio útil ou o possuidor, conforme a legislação aplicável. Como Renato é apenas locatário, ele não vira automaticamente contribuinte do IPTU por causa do contrato de aluguel. O combinado entre ele e Luiz Fernando pode até gerar efeito civil entre eles, mas não muda a relação jurídico-tributária perante o Município. Por isso, Renato não tem legitimidade ativa para discutir administrativamente a exigência do IPTU como contribuinte, já que não integra a relação tributária na posição de sujeito passivo definida em lei. O entendimento se alinha ao CTN e à leitura consolidada pela jurisprudência de que a locação não transfere, por si só, a qualidade de contribuinte do IPTU ao inquilino. Então, o gabarito é a letra B: Renato não pode discutir a relação jurídico-tributária de IPTU como se fosse o sujeito passivo, porque ele não é o proprietário nem foi colocado por lei nessa posição.

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