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Direito Tributário · CESPE/CEBRASPE · 2023

Questão comentada de Direito Tributário

A Presidência da República editou a Medida Provisória (MP) X, com efeitos a partir da respectiva publicação, revogando a cobrança do adicional de alíquota da COFINS. Antes de decorridos sessenta dias de vigência da MP X, foi editada a MP Y, com efeitos a partir da sua publicação, que, por sua vez, revogou o beneficio previsto na MP X, restaurando a cobrança daquele adicional de alíquota da COFINS. A MP Y perdeu eficácia pelo decurso do tempo, razão por que a MP X voltou a ter efeitos pelo prazo que restava, de forma que a cobrança do adicional da alíquota da COFINS foi novamente obstada. A MP X, também pelo decurso do tempo, perdeu sua eficácia, possibilitando que a cobrança do adicional da alíquota da COFINS fosse, por fim, reativada. Em relação a essa situação hipotética, observados o disposto na CF e a jurisprudência do STF acerca do princípio da anterioridade tributária, assinale a opção correta.

Gabarito: D

A anterioridade tributaria existe para evitar surpresa no bolso do contribuinte. No caso de contribuicao social como a COFINS, a regra relevante e a anterioridade nonagesimal, prevista no art. 195, § 6º, da CF. A anterioridade anual nao entra aqui porque ela nao se aplica, em regra, as contribuicoes sociais. A leitura que a banca quer e a da jurisprudencia do STF: quando a MP Y revoga o beneficio dado pela MP X e restaura a cobranca do adicional, ha aumento de carga tributaria, entao deve-se respeitar a noventena. O pulo do gato esta no que acontece depois. Quando a MP Y perde eficacia, a MP X volta a produzir efeitos pelo tempo restante, e isso nao gera novo momento de observancia da anterioridade. E por que? Porque nao ha uma nova instituicao ou majoracao, apenas o retorno da disciplina anterior que ja estava prevista no sistema. A surpresa tributaria relevante ja ocorreu com a MP Y. Depois, quando a MP X tambem perde eficacia, a cobranca do adicional volta a valer por forca da regra anterior ja conhecida. Nao surge uma segunda exigencia de noventena, porque o contribuinte nao esta diante de uma nova majoracao criada naquele instante, mas da retomada do regime anterior. E exatamente por isso o gabarito e a letra D. Em resumo: para a COFINS, observe a anterioridade nonagesimal no momento em que a MP Y restabelece a cobranca; nao ha observancia posterior quando a MP X volta a valer e depois perde eficacia. STF e CF caminham juntos aqui: o que importa e o momento da efetiva majoracao, nao o vai-e-volta das MPs.

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