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Direito Processual Penal · VUNESP · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Tício, Deputado Federal, há tempos anda contrariado com as sucessivas decisões concessivas de liberdade proferidas por Mévio, Desembargador Estadual, propiciando a soltura de pessoas que, em sua visão pessoal, deveriam estar presas. Entre as pessoas que acabaram soltas está um traficante que Tício considera ser o responsável por viciar o seu filho em cocaína. Em julho, durante o recesso parlamentar, enquanto passava férias no litoral, em seu Estado natal, Tício encontra, inesperadamente, em um restaurante, o magistrado. Não controlando sua raiva, pelo motivo pessoal exposto, efetua disparos de arma de fogo (de uso proibido) contra o magistrado, que não teve qualquer possibilidade de defesa, sendo alvejado pelas costas, quase vindo a óbito (homicídio doloso qualificado tentado). Tício foi preso em flagrante delito, respondendo pelo crime de homicídio doloso tentado qualificado e por porte ilegal de arma de fogo de uso proibido. Considerando o caso apresentado, aponte a alternativa correta.

Gabarito: E

Aqui a chave da questão é separar duas coisas: prerrogativa de foro e competência do Tribunal do Júri. Deputado Federal não leva automaticamente todo e qualquer crime ao STF. Hoje, a prerrogativa de foro vale para crimes cometidos durante o mandato e em razão das funções, conforme a orientação firmada pelo STF. Neste caso, o ataque nasceu de motivo pessoal, por raiva das decisões do magistrado, sem ligação com a atividade parlamentar. Como o fato principal é homicídio doloso tentado qualificado, a competência constitucional é do Tribunal do Júri, que julga os crimes dolosos contra a vida (art. 5º, XXXVIII, da CF). E, quando há crime conexo com o delito doloso contra a vida, ele também acompanha o Júri, para evitar que o caso fique picado em pedaços, como se o processo fosse um quebra-cabeça mal montado. A qualidade da vítima também não desloca a competência para o Tribunal de Justiça. O fato de ser desembargador não transforma automaticamente o caso em processo de foro especial, porque aqui não se está julgando crime funcional ligado ao cargo da vítima. O que importa é a natureza do delito e a ausência de nexo com a função parlamentar. Por isso, a alternativa correta é a letra E: Tício responderá, por ambos os crimes, no Tribunal do Júri, na esfera estadual.

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