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Direito Processual Penal · VUNESP · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

É correto afirmar que, hodiernamente, a prova digital:

Gabarito: D

A prova digital deixou de ser vista como algo "do faroeste" e passou a ter tratamento jurídico próprio no processo penal. Hoje, ela é admitida como meio de prova, desde que obtida e preservada com respeito à legalidade, à integridade e à autenticidade, especialmente com observância da cadeia de custódia. Isso conversa diretamente com os arts. 158-A a 158-F do CPP, que tratam da cadeia de custódia, e com a lógica do art. 157 do CPP, que veda apenas a prova ilícita, não a prova digital em si. O ponto central é simples: o fato de a prova estar em formato eletrônico não a torna, por si só, nem ilícita nem ilegítima. O que importa é como ela foi coletada, armazenada, periciada e apresentada. Se o procedimento for regular, a prova digital pode ser plenamente usada pela acusação ou pela defesa. Se houver quebra relevante da cadeia de custódia ou violação de direitos fundamentais, aí o problema é de admissibilidade e valor probatório, não da natureza "digital" do meio. É por isso que a banca acerta ao afirmar que a prova digital é meio lícito e legítimo de prova e encontra alicerce na legislação. Além do CPP, a doutrina e a jurisprudência brasileiras já tratam mensagens, arquivos, registros eletrônicos, metadados e outros vestígios digitais como fontes probatórias válidas, desde que submetidas ao contraditório e à verificação de confiabilidade. Em resumo: o erro da questão está em tentar associar, automaticamente, prova digital a ilicitude ou ilegitimidade. No processo penal atual, a pergunta certa não é "pode usar prova digital?", e sim "essa prova digital foi obtida e preservada do jeito certo?".

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