← Questões de Direito Processual Penal

Direito Processual Penal · NC-UFPR · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

Conforme a doutrina de Gustavo Badaró, “o ônus da prova é a faculdade de os sujeitos parciais produzirem as provas sobre as afirmações de fatos relevantes para o processo, cujo exercício poderá levá-los a obter uma posição de vantagem ou impedir que sofram um prejuízo”. (BADARÓ, Gustavo. Processo penal. Rio de Janeiro: Campus Jurídico / Elsevier, 2012, p. 272.) A respeito do “ônus da prova”, considere as seguintes afirmativas: 1. A dúvida sobre a tipicidade da conduta (incluindo a ação ou a omissão) levará a um julgamento absolutório. 2. O ônus da prova da autoria delitiva, bem como da participação no concurso de agentes, pesa sobre a acusação. 3. A acusação tem o ônus de provar o elemento subjetivo do delito. 4. Em caso de “fundada dúvida” sobre a excludente de ilicitude, vigora o princípio do in dubio pro societat. Assinale a alternativa correta.

Gabarito: D

No processo penal, o ônus da prova não funciona como uma obrigação de "ganhar o jogo", mas como a carga de demonstrar os fatos que sustentam a tese de cada parte. Em regra, a acusação deve provar a imputação: fato típico, autoria, nexo e elemento subjetivo, porque vale a lógica do art. 156 do CPP e, sobretudo, a presunção de inocência do art. 5º, LVII, da CF. Se sobrar dúvida séria sobre um ponto essencial da acusação, a consequência é a absolvição, e não uma aposta contra o réu. Por isso, a afirmativa 1 está correta: se houver dúvida sobre a tipicidade, inclusive sobre a própria ação ou omissão relevante, o juiz não pode condenar. No processo penal, condenação pede prova segura da subsunção do fato à norma, e a dúvida beneficia o acusado. A afirmativa 2 também está correta, porque autoria e participação são elementos centrais da acusação. Quem acusa precisa demonstrar que foi aquela pessoa que praticou, concorreu ou participou do delito. A mesma lógica vale para o elemento subjetivo da infração, então a afirmativa 3 igualmente está certa: dolo e culpa, quando relevantes, também precisam ser provados pela acusação, ainda que isso possa ser extraído do contexto e das circunstâncias do caso. Já a afirmativa 4 está errada. Em caso de dúvida sobre excludente de ilicitude, não existe um princípio de in dubio pro societate como regra de condenação. O que prevalece é a presunção de inocência e o in dubio pro reo. O processo penal não autoriza condenar só porque existe suspeita mal resolvida; se a dúvida persistir de forma relevante, a solução deve favorecer o réu. Por isso, o gabarito é a letra D.

Continue treinando

Questões relacionadas