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Direito Processual Penal · Instituto AOCP · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Emanuel é delegado de polícia em Anápolis-GO e inicia o interrogatório de um sujeito preso em flagrante por tráfico de entorpecentes próximo a uma escola. O interrogado confessa o delito. Emanuel, então, decreta a prisão preventiva do investigado e oficia ao juízo plantonista para que referende sua decisão. Diante desse contexto, assinale a alternativa correta.

Gabarito: C

A prisão preventiva é medida cautelar que, no sistema brasileiro, depende de decisão judicial. Quem decreta é o juiz, e não a autoridade policial. No CPP, o delegado pode até tomar providências na investigação, ouvir o preso, lavrar o flagrante e, quando cabível, representar ao Judiciário pela preventiva, mas não “assina” a própria prisão preventiva como se fosse um cheque do plantão. É justamente isso que derruba a situação narrada: Emanuel, como delegado, não poderia decretar a preventiva e depois pedir que o juiz apenas referendasse. A lógica do Código de Processo Penal é separar as funções de investigar e de decidir a restrição cautelar mais grave, preservando a reserva de jurisdição. O fundamento está no art. 311 do CPP, que disciplina a decretação da preventiva pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante, do assistente ou por representação da autoridade policial. Ou seja, o delegado pode provocar o Judiciário, mas não substituir o juiz. A doutrina e a jurisprudência são pacíficas nesse ponto. Por isso, a alternativa correta é a que diz que o delegado pode representar pela prisão preventiva, mas não pode decretá-la. O resto é tentativa de fazer a autoridade policial virar juiz por alguns minutos, o que o processo penal não permite.

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