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Direito Processual Penal · Instituto AOCP · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

Jackson é agente da Polícia Civil de Goiás lotado no Município de Anápolis. Em um dia de serviço, Jackson recebe autos de inquérito policial para análise e nota que a apreensão de substâncias entorpecentes feita por dois policiais militares se deu em período noturno, após acessarem uma residência privada, quando notaram o proprietário entrando rapidamente pelo portão. Na busca no local, os milicianos encontraram meio quilo de cocaína e prenderam em flagrante o investigado. Considerando a situação fática relatada, Jackson entende que o procedimento investigativo é nulo por ferir o princípio

Gabarito: B

Aqui a palavra-chave é prova ilícita. Quando a Constituição veda a utilização de prova obtida por meio ilícito, ela está protegendo a regularidade da investigação e do processo desde a origem. No caso, houve ingresso em residência à noite, sem indicação de mandado judicial e fora das hipóteses constitucionais de flagrante delito, desastre ou socorro, o que contamina a busca e, por consequência, o que foi encontrado. O ponto central é o art. 5º, XI, da Constituição: a casa é asilo inviolável, e a entrada sem consentimento do morador só é admitida nessas hipóteses excepcionais. Se a apreensão nasce de uma violação desse direito, a prova tende a ser considerada ilícita, e o art. 157 do CPP manda desentranhar as provas ilícitas, inclusive as derivadas delas. Em prova de concurso, a banca costuma misturar isso com garantias processuais clássicas para ver se você escorrega. Mas aqui não é discussão sobre quem julga, nem sobre presunção de inocência, nem sobre recurso. O problema está na forma como a prova foi produzida: se a entrada foi ilegal, o material apreendido fica juridicamente comprometido. Por isso, o raciocínio de Jackson aponta para o princípio da inadmissibilidade das provas obtidas ilicitamente. É o tipo de situação em que o procedimento investigativo não está sendo questionado por mero detalhe formal, mas por violação direta a um direito fundamental que contamina a prova desde o nascimento.

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