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Direito Processual Penal · Instituto AOCP · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

Gertrudes é moradora do Município de ItumbiaraGO e foi entrevistada por uma emissora de televisão para comentar a prestação de serviços do hospital municipal onde se consulta quando está doente. Insatisfeita com os serviços ali prestados, Gertrudes acusou o secretário municipal de saúde de praticar corrupção, peculato e assédio moral. Revoltado com a exposição pública, o secretário municipal ofereceu queixa-crime contra Gertrudes perante o Juizado Especial Criminal de Itumbiara-GO, acusando-a de calúnia e difamação. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.

Gabarito: A

No Juizado Especial Criminal (JECRIM) só entram as infrações de menor potencial ofensivo: contravenções e crimes com pena máxima não superior a 2 anos, conforme o art. 61 da Lei 9.099/95. Aqui, o secretário ofereceu queixa por calúnia e difamação, que são crimes contra a honra, e não contravenções. Calúnia tem pena de 6 meses a 2 anos, e difamação de 3 meses a 1 ano. O ponto decisivo é que, havendo imputação de dois delitos, a análise da competência considera a soma das penas máximas em concurso, entendimento consolidado na prática forense e na jurisprudência dos tribunais. Somando o teto de calúnia com o de difamação, o resultado passa de 2 anos. Ou seja, o caso já sai da faixa do JECRIM. O juiz do juizado, nesse cenário, não é o foro adequado para processar a queixa. Então, a alternativa correta é a que diz que a queixa foi oferecida no juízo errado porque a soma das penas máximas ultrapassa 2 anos. A banca gosta muito dessa pegadinha: ela mistura crimes contra a honra, que parecem “leves”, com a regra técnica da competência do juizado. E aí mora a armadilha.

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