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Direito Processual Penal · Instituto AOCP · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

Conforme a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), assinale a alternativa INCORRETA.

Gabarito: E

A Lei Maria da Penha nasceu para tirar a violência doméstica da zona de conforto das regras comuns do Juizado Especial. Por isso, quando o fato envolve violência doméstica e familiar contra a mulher, não se aplica a Lei 9.099/1995, e a ideia é evitar tratamento brando para esse tipo de crime. Também por isso, a jurisprudência do STF consolidou que a lesão corporal leve, nesse contexto, é de ação penal pública incondicionada, sem depender de representação da vítima. Outro ponto importante: a lei também fecha a porta para penas simbólicas, como cesta básica ou prestação pecuniária, e para substituições que terminem em simples pagamento de multa isolada. A mensagem aqui é clara: a resposta estatal precisa ser mais séria do que um "pague e vá embora". Já a renúncia à representação, nos casos em que ela ainda exista, só pode ocorrer perante o juiz, em audiência especialmente designada, antes do recebimento da denúncia e com o Ministério Público ouvido. Isso está no art. 16 da Lei 11.340/2006. O erro da alternativa E está em atribuir ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher a opção de propor ação de divórcio e partilha de bens. A lei prevê, no art. 14-A, que a ofendida pode optar por propor essas ações no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, e não "ao juizado" como se ele fosse o titular da iniciativa. A competência é do juízo especializado, mas quem propõe a ação é a parte interessada. É essa troca de sujeito que derruba a assertiva.

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