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Direito Processual Penal · IDECAN · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

O Magistrado da Comarca X decretou a prisão preventiva de Raimundo com fundamento na conveniência da instrução criminal, já que o Parquet juntou, na sua manifestação pela prisão do acusado, provas robustas de que o réu estava ameaçando uma das testemunhas de acusação. Passados 90 dias da prisão, e com instrução criminal em andamento, após as oitivas das testemunhas de acusação e da oitiva da primeira testemunha de defesa, o Magistrado encerrou a audiência e designou nova data para a continuação dos trabalhos, já que se comprovou que as demais testemunhas de defesa não haviam sido intimadas. Durante todo o andamento processual, o réu Raimundo permaneceu preso preventivamente diante da decisão mencionada acima. Com base exclusivamente no que foi narrado no enunciado, é correto afirmar que a prisão preventiva é

Gabarito: E

A prisão preventiva é medida cautelar extrema e só se sustenta enquanto houver motivo concreto para sua manutenção. No caso, a decisão inicial usou fundamento válido do art. 312 do CPP, porque ameaça a testemunha é exemplo clássico de risco à instrução criminal. Até aqui, tudo certo na teoria e na prática forense. O ponto que derruba a prisão no enunciado é outro: o art. 316, parágrafo único, do CPP determina que o juiz deve revisar, de ofício, a necessidade da preventiva a cada 90 dias, por decisão fundamentada. Essa revisão não é enfeite processual, é controle obrigatório da cautelar. Se o magistrado deixa passar o prazo sem reexaminar a medida, a prisão se torna ilegal. A jurisprudência do STF e do STJ trata esse dever de reavaliação como uma exigência real de fundamentação periódica, não como formalidade vazia. Ou seja, não basta a decisão antiga continuar bonita no papel; é preciso checar se o motivo ainda existe. Se não houver essa renovação, a prisão perde sua validade. Por isso, a resposta correta é a que aponta a ilegalidade da custódia após o prazo de 90 dias sem a revisão judicial obrigatória. A banca quis testar se você saberia separar um fundamento inicial legítimo de uma manutenção irregular da prisão. Em prova, esse detalhe costuma ser a casca de banana favorita.

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