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Direito Processual Penal · IDECAN · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

A Lei Maria da Penha se tornou um importante mecanismo contra a violência doméstica e familiar contra a mulher, em conformidade com o disposto na Constituição Federal e nos tratados internacionais ratificados pelo Estado Brasileiro. Os Tribunais Superiores já se manifestaram várias vezes sobre importantes teses jurídicas a respeito da Lei Maria da Penha, que estão listadas nas alternativas a seguir, À EXCEÇÃO DE UMA. Assinale-a.

Gabarito: E

A Lei Maria da Penha foi criada para dar uma resposta mais firme à violência doméstica e familiar contra a mulher, e por isso vários entendimentos dos tribunais superiores caminham no sentido de evitar soluções penais muito benevolentes nesse contexto. Aqui, a ideia central é simples: quando o fato acontece em ambiente doméstico ou familiar, a análise não fica restrita a uma leitura fria do tipo penal, porque existe proteção reforçada da dignidade da mulher e da paz no lar. Por isso, alguns institutos despenalizadores ficam afastados, como a suspensão condicional do processo e a transação penal, conforme orientação consolidada na jurisprudência do STJ e no sentido da Lei 11.340/2006. Também se reconhece que não é preciso coabitação para existir violência doméstica, e que a agressão entre irmãos pode, sim, se enquadrar na lei quando houver contexto familiar. O ponto da questão está na alternativa E: o princípio da insignificância não é aplicado, em regra, aos crimes ou contravenções praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas. A razão é que a lesão não é vista só pelo pequeno valor material do fato, mas pelo contexto de opressão, reiteração e vulneração da vítima, o que torna o comportamento penalmente relevante. Em outras palavras: no cenário da Lei Maria da Penha, o tribunal não costuma aceitar a ideia de que "foi pouca coisa" para afastar a tutela penal. Então, o gabarito é E porque ela afirma exatamente o contrário do entendimento predominante dos tribunais superiores. A jurisprudência repele a insignificância nesses casos, justamente para não esvaziar a proteção especial conferida à mulher em situação de violência doméstica e familiar.

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