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Direito Processual Penal · IDECAN · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

Marcos foi investigado por suposta prática de lesão corporal de natureza grave e, ao final, denunciado pelo Ministério Público pelo cometimento do delito previsto no artigo 129, §1º,I, do CP, Durante a instrução criminal, a Defesa aventou a hipótese de o crime ter sido praticado em legitima defesa. Ao final da instrução, após interrogatório do réu, o Magistrado concedeu o prazo sucessivo de cinco dias para as partes apresentarem memoriais escritos, diante da complexidade do caso, conforme previsão do artigo 403, §3º, do Código de Processo Penal. Com base no que foi narrado acima, é correto afirmar que o ônus da prova

Gabarito: A

No processo penal, a regra geral sobre ônus da prova é simples: quem alega um fato deve prová-lo. Isso aparece de forma compatível com o art. 156 do CPP, que coloca a prova inicialmente nas mãos de quem faz a afirmação que quer ver reconhecida no processo. Na prática, a acusação precisa provar a materialidade e a autoria do crime, mas quando a defesa traz uma tese nova, como a legítima defesa, ela assume o dever de demonstrar esse fato impeditivo ou excludente da ilicitude. Aqui está o ponto da questão: Marcos foi denunciado por lesão corporal grave, e a Defesa passou a sustentar legítima defesa. Como essa tese foi levantada pela defesa, cabe a ela produzir elementos que a sustentem. Não é um passe livre para dizer "foi legítima defesa" e esperar que o juiz descubra sozinho. Processo penal não é jogo de adivinhação. A doutrina majoritária ensina que a acusação prova o fato típico e a autoria, enquanto a defesa prova fatos modificativos, extintivos ou impeditivos, como excludentes de ilicitude, quando os invoca. A jurisprudência do STJ e do STF também costuma afirmar que o réu não se desincumbe de provar sua inocência, mas precisa trazer suporte mínimo e convincente para fatos que afirma em seu favor. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Ela traduz a regra geral do ônus probatório: cabe a quem alega provar, e, no caso narrado, quem levantou a legítima defesa foi a defesa.

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