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Direito Processual Penal · IDECAN · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

Leandro e Paula estão sendo investigados pela prática de determinada infração penal. No curso da investigação, fica demonstrado que ambos atuaram na prática do delito, em verdadeira conexão intersubjetiva concursal. Relatado o inquérito policial e enviado ao Ministério Público, este oferece denúncia apenas em relação a Leandro, nada mencionando em relação a Paula. O Magistrado competente para avaliar a denúncia não percebe esse equívoco do Ministério Público e recebe a peça processual, dando início à ação penal exclusivamente em relação a Leandro. Atento à doutrina que aceita o denominado arquivamento implícito do inquérito policial, assinale a afirmativa INCORRETA.

Gabarito: D

O chamado arquivamento implícito acontece, na visão de parte da doutrina, quando o Ministério Público, tendo elementos no inquérito, oferece denúncia e deixa de fora um fato ou uma pessoa investigada, sem dizer expressamente que arquivou essa parte. É como se ele “pulasse” um pedaço do caso, e o juiz, por sua vez, também não percebesse a omissão. Essa construção é doutrinária, porque o CPP não prevê de forma expressa o arquivamento implícito. Por isso, ela costuma aparecer em questões como uma hipótese de omissão conjunta: o MP não denuncia todos os investigados e o magistrado não devolve os autos para correção. Na prática, a discussão gira em torno de conexão, indivisibilidade da ação penal e necessidade de a acusação abranger todos os fatos e autores conhecidos, nos termos do art. 41 do CPP. O ponto central da questão é que, uma vez aceita a tese do arquivamento implícito, não faz sentido o Ministério Público simplesmente “consertar” depois, no curso da instrução, incluindo Paula por aditamento como se nada tivesse ocorrido. Se houve arquivamento implícito em relação a ela, a omissão já produziu a consequência processual discutida pela doutrina, e não cabe esse aditamento tardio para reaproveitar uma acusação que foi deliberadamente incompleta. Por isso, a alternativa D está incorreta: ela admite o aditamento para incluir Paula durante a instrução, mas isso contraria exatamente a lógica do arquivamento implícito adotada no enunciado. O que a doutrina sustenta, nesse contexto, é que a omissão inicial não pode ser simplesmente corrigida dessa forma, sob pena de esvaziar a própria ideia do arquivamento implícito.

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