Ruy e Rodrigo, servidores públicos federais, foram vítimas do crime de injúria racial praticado por Rafael, que foi formalmente indiciado em inquérito policial. Os autos do inquérito foram relatados e remetidos ao Ministério Público, que, no prazo legal, entendeu pela atipicidade da conduta de Rafael e decidiu promover o arquivamento do feito, notificando as vítimas, a autoridade policial e o juízo. Passados três meses da notificação, Ruy ajuizou ação penal subsidiária da pública em face de Rafael, sendo que Rodrigo não tomou qualquer providência. Diante desse contexto, a ação penal subsidiária:
- A)poderá ser recebida pelo juízo em razão de o crime ser imprescritível e não ter ocorrido a decadência;
Incorreta. A imprescritibilidade da injúria racial não cria cabimento de ação subsidiária sem inércia do Ministério Público.
- B)não poderá ser recebida pelo juízo, pois houve renúncia ao direito de queixa por parte de Rodrigo;
Incorreta. Não se trata de renúncia de Rodrigo em ação privada.
- C)poderá ser recebida pelo juízo, pois o Ministério Público não ajuizou a ação penal, que é pública incondicionada;
Incorreta. A falta de denúncia não basta quando houve arquivamento tempestivo.
- D)não poderá ser recebida pelo juízo, pois o Ministério Público promoveu o arquivamento no prazo legal;
Correta. O arquivamento promovido no prazo impede a ação penal subsidiária.
- E)não poderá ser recebida pelo juízo, pois houve a perempção do direito de queixa subsidiária por parte de Ruy.
Incorreta. Perempção pressupõe ação privada em curso, não queixa subsidiária incabível.
Gabarito: D
A ação penal subsidiária da pública só cabe diante de inércia do Ministério Público no prazo legal. Se o órgão ministerial promoveu arquivamento tempestivo, ainda que por entender atípica a conduta, não há omissão apta a autorizar queixa subsidiária.