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Direito Processual Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Após o recebimento da denúncia, em persecução penal processual em que se apura a prática do crime de roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo, o Ministério Público requer a captação ambiental de sinais acústicos em detrimento do acusado. Analisando detidamente os autos, o juiz defere a captação ambiental e, de ofício, determina a interceptação telefônica em prejuízo do réu. Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº 9.296/1996, é correto afirmar que o juiz agiu de forma:

Gabarito: B

A ideia central aqui é simples: a interceptação telefônica é medida excepcional, usada para obter prova em investigação criminal ou instrução processual penal, sempre com controle judicial e requisitos legais. A Lei 9.296/1996 exige, em regra, indícios razoáveis de autoria ou participação, impossibilidade de obtenção da prova por outros meios e fato punido com reclusão. É aquela prova que o sistema admite, mas com o freio de mão puxado. O ponto que derruba muita gente é o seguinte: a lei permite que o juiz determine a interceptação telefônica até de ofício. Isso decorre do art. 3º da Lei 9.296/1996, que autoriza a medida por decisão judicial, inclusive sem provocação, além do requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público. Então, nesse pedaço do enunciado, a atuação do magistrado não é um problema. Quanto à captação ambiental de sinais acústicos, a banca costuma tratar o tema como medida igualmente sujeita a autorização judicial e lógica de excepcionalidade, hoje disciplinada de forma expressa no CPP, após a evolução legislativa do tema. O enunciado quer saber se há irregularidade na intervenção do juiz, e a resposta é que não há, porque a interceptação telefônica pode ser decretada de ofício. Por isso, o gabarito B está correto: o juiz agiu de forma adequada ao autorizar a captação ambiental e, de ofício, determinar a interceptação telefônica. Em prova de concurso, vale guardar a regra-mnemônica: interceptação telefônica não é prova de balcão, mas também não depende necessariamente de pedido da acusação para existir.

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