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Direito Processual Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Alessandra é a principal suspeita de ter subtraído os manuscritos que Thaísa escrevia sobre a reforma antimanicomial, pois a primeira lançou um livro abordando justamente a tese que apenas a segunda defendia no meio jurídico. Ambas desejam descobrir quem efetivamente subtraiu o manuscrito. Alessandra nega o furto e atribui a Paula, conhecida por plagiar outros autores, a autoria do delito. Com isso, cada qual inicia sua própria investigação independente da intervenção da Polícia Civil, pois estavam descrentes do interesse dos investigadores em apurar como a subtração se deu. Sobre a investigação criminal sob a ótica de um direito processual democrático e cooperativo, é correto afirmar que:

Gabarito: C

No processo penal democrático e cooperativo, a investigação não é monopólio absoluto da polícia. Em crimes de ação penal pública, o Ministério Público pode investigar diretamente, desde que respeite garantias fundamentais, controle de legalidade e a possibilidade de fiscalização pela defesa. A ideia é simples: investigar sim, mas sem “caixa-preta”. Por isso, quando o MP produz elementos informativos, o material colhido não pode ficar escondido só porque interessa à acusação. Tudo o que for produzido e documentado na investigação deve integrar os autos e ficar sujeito ao contraditório diferido e ao controle da defesa, especialmente se for relevante para a apuração dos fatos. Já a defesa não tem dever de colaborar com a acusação. O acusado tem direito ao silêncio e à não autoincriminação, o que afasta qualquer obrigação de ajudar a produzir prova contra si. No Brasil, isso se conecta ao art. 5º, LXIII, da Constituição e ao princípio nemo tenetur se detegere. Mentir em sua própria defesa, em regra, não configura perjúrio como no sistema norte-americano, porque o tipo penal de falso testemunho não alcança o réu ao depor em autodefesa. Assim, o gabarito é a letra C: o MP pode investigar diretamente, mas o material probatório arrecadado deve ser compartilhado nos autos, e Alessandra não é obrigada a colaborar com a acusação, podendo exercer o direito de defesa sem se autoincriminar.

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