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Direito Processual Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Tício, primário e de bons antecedentes, nascido em 10 de janeiro de 2003, é flagrado, no dia 12 de janeiro de 2022, por policiais militares que faziam ronda ostensiva na praia de Itacoatiara, com 100g de maconha para seu próprio uso. Sendo assim, Tício foi conduzido para a Delegacia de Polícia quando foi lavrado o termo circunstanciado, encaminhado para o Juizado Especial Criminal. Dessa forma, o magistrado competente designa audiência preliminar para o dia 10 de julho de 2022. Na data designada para a audiência, o ato não foi realizado por determinação do magistrado titular em razão de compromisso no Tribunal de Justiça, o que gerou a sua redesignação para o dia 11 de novembro de 2022. Na nova data aprazada para a audiência preliminar, Tício, acompanhado de advogado particular, não aceita a proposta de transação penal, elaborada pelo Ministério Público. Sendo assim, o promotor de justiça, em ato contínuo, apresenta a exordial acusatória, e o magistrado designa audiência de instrução e julgamento para o dia 31 de janeiro de 2023. Realizada a audiência na presença de Tício e seu patrono, respeitado o devido processo legal e a ampla defesa, o magistrado profere sentença penal condenatória fixando, cumulativamente, as sanções de prestação de serviços à comunidade e medida educativa de comparecimento a curso educativo pelo prazo de quatro meses. Tício, ao ter ciência da decisão, irresignado, destituiu o seu patrono particular, solicitando que fosse designado um defensor público e indicando o seu desejo de recorrer. No contexto apresentado, é correto afirmar que, à luz do entendimento das Cortes Superiores e buscando a tese principal que gere maior benefício em favor de Tício, o recurso cabível previsto em lei é:

Gabarito: A

Em casos julgados no Juizado Especial Criminal, a sentença é impugnada por apelação, nos termos do art. 82 da Lei 9.099/1995. Então, nada de inventar moda com recurso exótico: aqui o caminho previsto em lei é mesmo a apelação. No mérito, a melhor tese defensiva, pensando em maximizar o benefício de Tício, é atacar a pretensão punitiva pela passagem do tempo, isto é, sustentar a perda do direito de punir do Estado. A lógica da banca foi cobrar essa leitura prática: primeiro você escolhe o recurso correto; depois, nele, levanta a tese mais favorável ao réu. Em matéria de drogas, o art. 28 da Lei 11.343/2006 prevê sanções sem prisão, e o art. 30 estabelece prazo prescricional próprio. A jurisprudência das Cortes Superiores trata o art. 28 como figura penal, e não como mera infração administrativa, o que permite discutir prescrição e demais efeitos penais. Por isso, o gabarito aponta a alternativa A: a via adequada é a apelação, e a tese principal a ser desenvolvida é a extinção da punibilidade pelo decurso do tempo, buscando o resultado mais vantajoso para Tício.

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