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Direito Processual Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Pedro Paulo, denunciado por integrar organização criminosa destinada à prática de crimes de extorsão e de estelionato, resolveu fazer acordo de colaboração premiada com o Ministério Público. O juiz competente para homologar possível acordo tomou ciência das tratativas e intimou o acusado e o Ministério Público, a fim de que pudesse o órgão jurisdicional participar das negociações. Diante disso, é correto afirmar que o juiz:

Gabarito: B

A colaboração premiada, na Lei 12.850/2013, é um negócio jurídico processual entre o investigado/réu e os órgãos de persecução penal. O juiz não entra na mesa de negociação, porque sua função é de controle de legalidade e voluntariedade, não de barganha. Se ele começasse a participar, perderia a imparcialidade e viraria quase um mediador do acordo, o que a lei não permite. O ponto central está no art. 4º, § 6º, da Lei 12.850/2013: o juiz não participará das negociações realizadas entre as partes para a formalização do acordo de colaboração premiada. Depois, se houver ajuste, o acordo é submetido à homologação judicial, momento em que o magistrado verifica regularidade, legalidade e voluntariedade, sem reescrever o conteúdo negociado. Perceba que isso vale independentemente do benefício pedido no acordo: perdão judicial, redução de pena, substituição por restritiva de direitos ou até multa. O tipo de prêmio não muda a regra do impedimento do juiz na fase negocial. A FGV gosta muito dessa ideia: juiz controla, mas não negocia. Por isso, a alternativa correta é a B. O enunciado até tenta puxar você para pensar que o benefício mudaria a atuação do juiz, mas a lei é direta: na colaboração premiada, o magistrado fica fora das tratativas e atua apenas na homologação posterior.

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