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Direito Processual Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Hugo, José, Luiz e Raimundo são investigados em procedimento de investigação criminal instaurado pelo Ministério Público em razão de fazerem parte de organização criminosa destinada à prática dos delitos de extorsão e usura. No curso das investigações, Hugo decidiu firmar acordo de colaboração premiada com o Ministério Público. Nesse contexto, no que diz respeito à investigação criminal e aos meios de obtenção da prova nas investigações relacionadas às organizações criminosas, é correto afirmar que:

Gabarito: A

A colaboração premiada na Lei 12.850/2013 é um acordo de “troca útil”: o investigado ajuda de forma efetiva e, em contrapartida, pode receber benefícios penais, como redução de pena, substituição e, em situações excepcionais, até perdão judicial. Mas a lei não libera tudo de qualquer jeito: ela impõe limites bem claros para evitar barganha sem controle. O ponto central da questão está no art. 4 da Lei 12.850/2013. O Ministério Público pode, sim, deixar de oferecer denúncia em hipóteses específicas, quando a colaboração for realmente relevante e o colaborador preencher os requisitos legais, como não ser o líder da organização criminosa e ser o primeiro a prestar efetiva colaboração. A lógica é premiar quem chega primeiro e ajuda de verdade, especialmente quando o fato criminoso ainda não era conhecido pelo MP. Por isso a alternativa A está correta: ela reproduz a ideia legal de que, em casos excepcionais, o MP pode deixar de denunciar se a colaboração for consistente e se o colaborador não ocupar posição de liderança, além de ser o primeiro a cooperar. Esse é um dos benefícios mais fortes da colaboração premiada, mas depende de requisitos cumulativos e de controle judicial na homologação. As demais alternativas tropeçam em pontos clássicos da lei: o prazo não é formulado como “suspensão da denúncia até 12 meses” nesse contexto; o MP não pode usar livremente material não aproveitado no acordo para outras finalidades; o juiz não participa das negociações; e não se pode pactuar renúncia ao direito de impugnar a decisão homologatória, porque isso esvaziaria a própria garantia de controle judicial.

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