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Direito Processual Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

No tocante à atividade do juiz na fase investigatória pré-processual e aos seus poderes instrutórios durante o processo penal, é correto afirmar que poderá o juiz:

Gabarito: C

No processo penal, o juiz não pode virar investigador nem negociador, porque isso compromete a imparcialidade. A lógica do sistema acusatório é simples: acusação acusa, defesa defende e o juiz decide. Por isso, na fase investigatória e na instrução, os poderes do magistrado são limitados e devem ser usados com cuidado. A alternativa correta é a C porque o art. 156, II, do CPP autoriza o juiz, no curso da instrução ou antes de proferir sentença, a ordenar de ofício a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. Ou seja, se ainda houver uma dúvida séria sobre algo importante para o julgamento, o juiz pode agir para esclarecer o ponto, sem abandonar sua posição de julgador. Esse poder, porém, não significa liberdade total para produzir prova como se fosse parte. A atuação judicial é excepcional e deve servir para esclarecer questão relevante, não para suprir falhas da acusação ou da defesa. A jurisprudência e a doutrina lembram que o juiz pode determinar prova complementar, mas sem quebrar sua imparcialidade. Então, guarde a ideia central: o juiz pode impulsionar a instrução em situações pontuais para esclarecer dúvida relevante, mas não pode assumir funções típicas da polícia, do Ministério Público ou das partes.

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