← Questões de Direito Processual Penal

Direito Processual Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Pablo, em sessão plenária do Tribunal do Júri, foi condenado, pelo Conselho de Sentença, em razão da prática do crime de homicídio duplamente qualificado, na modalidade consumada. O acusado respondeu ao processo em liberdade. O juiz, então, proferiu a sentença, fixando a pena definitiva em quatorze anos e seis meses de reclusão, em regime inicial fechado. Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal e a jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que Pablo:

Gabarito: E

Aqui a chave é separar duas ideias que vivem sendo misturadas: soberania dos veredictos e presunção de não culpabilidade. A soberania do Júri faz a decisão dos jurados ser respeitada, mas isso não autoriza, por si só, prender ou executar a pena antes do trânsito em julgado. A regra constitucional continua sendo a do art. 5º, LVII, da CF: ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da condenação. Na prática, o STF firmou entendimento de que a execução provisória da pena, mesmo após condenação pelo Tribunal do Júri, não pode acontecer automaticamente só porque houve condenação em plenário. O fato de Pablo ter sido condenado a 14 anos e 6 meses, inclusive em regime fechado, não muda essa lógica. Pena alta não elimina a garantia constitucional. O que pode existir é prisão cautelar, se houver fundamento próprio, mas isso é outra história. Também não vale a ideia de que ele teria de se recolher para poder recorrer. Se o réu respondeu solto e não há prisão cautelar devidamente fundamentada, o simples desejo de apelar não exige recolhimento. Em resumo: condenação no Júri não equivale, por si só, a execução imediata da pena. Por isso, a alternativa correta é a E: Pablo não estará sujeito à execução provisória da pena, em razão do princípio da presunção de não culpabilidade.

Continue treinando

Questões relacionadas