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Direito Processual Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

Rômulo foi processado pelo Ministério Público pelo crime de homicídio doloso qualificado praticado contra Remo, sendo aquele submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Durante seu interrogatório em juízo, Rômulo permaneceu em silêncio e não respondeu às perguntas que lhe foram formuladas. Já a viúva de Remo, por intermédio de seu advogado, foi admitida como assistente de acusação, tendo participado dos debates. Diante desse cenário, é correto afirmar que, durante os debates:

Gabarito: C

No Tribunal do Júri, alguns assuntos são praticamente proibidos nos debates porque podem influenciar os jurados de forma indevida. O art. 478 do CPP é o grande filtro: durante os debates, as partes não podem usar como argumento de autoridade a decisão de pronúncia, decisões anteriores sobre recursos, o silêncio do acusado, a ausência de interrogatório e a determinação do uso de algemas, sempre que isso puder prejudicar a defesa. A lógica é simples: o júri deve decidir com base nas provas e nos argumentos, e não com base em sinais de “culpabilidade reforçada” ou em impressões institucionais que contaminem o julgamento. O uso de algemas, por exemplo, pode passar ao jurado a ideia de periculosidade ou culpa, o que o sistema tenta evitar. Por isso, a menção ao uso de algemas como reforço argumentativo em prejuízo do acusado é vedada, sob pena de nulidade. No caso narrado, Rômulo ficou em silêncio no interrogatório, e isso também não pode ser explorado contra ele. Além disso, a assistência de acusação tem atuação limitada: ela pode atuar ao lado da acusação, mas não pode ultrapassar as vedações legais dos debates. O detalhe que a FGV adora é justamente esse: separar o que é permitido no Júri do que é argumento proibido pela lei. Assim, a alternativa C está correta porque reproduz a proibição expressa do art. 478 do CPP. Se a parte usa a determinação de algemas como argumento de autoridade contra o réu, há nulidade, pois isso viola a regra de proteção ao julgamento imparcial perante os jurados.

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