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Direito Processual Penal · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Processual Penal

O Ministério Público ofereceu denúncia em face de João, pela suposta prática do crime de estupro. Finda a instrução processual, os autos vão conclusos para a sentença, ocasião em que o juiz entende, com base nos fatos descritos na denúncia, que não houve o crime de estupro, mas sim o delito de estupro de vulnerável, de natureza mais gravosa. Nesse cenário, à luz das disposições do Código de Processo Penal, é correto afirmar que o juiz:

Gabarito: E

Aqui estamos diante da chamada emendatio libelli, prevista no art. 383 do CPP. Ela acontece quando o juiz, sem mudar os fatos narrados na denúncia, percebe que a capitulacao juridica dada pelo MP estava errada e aplica a classificacao juridica que entende correta. Em portugues claro: o fato e o mesmo, o nome juridico pode mudar. Por isso, mesmo que a nova tipificacao seja mais grave, o juiz pode faze-la de oficio, sem precisar pedir aditamento da denuncia e sem reabrir a instrucao. O que importa e que a defesa ja tenha se defendido dos fatos descritos, porque o contraditorio incide sobre o conteudo fatico da acusacao, nao sobre a etiqueta juridica colada nela. Se houvesse insercao de fato novo ou circunstancia nao contida na denuncia, ai sim seria caso de mutatio libelli, do art. 384 do CPP, com necessidade de aditamento e renovacao do contraditorio. Mas nao e isso que a questao narra. Assim, a alternativa E esta correta porque o juiz pode atribuir aos fatos definicao juridica diversa, ainda que isso implique pena mais grave, independentemente de reabertura da instrucao criminal, desde que os fatos ja estejam descritos na acusacao.

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