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Direito Processual Penal · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

Em relação ao procedimento dos crimes dolosos contra a vida, é correto afirmar que é:

Gabarito: A

No procedimento do Tribunal do Júri, a pronúncia é uma decisão de admissibilidade da acusação. Ela não exige certeza absoluta, mas precisa de dois pilares: prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria ou de participação, como manda o art. 413 do CPP. O ponto importante é que o juiz não pode pronunciar alguém com base apenas em elementos colhidos no inquérito, porque, em regra, esses elementos servem para informar, não para sustentar sozinhos uma decisão judicial condenatória ou de forte carga restritiva. Em outras palavras: o inquérito é a etapa da investigação, sem contraditório pleno. Já a pronúncia exige algum suporte probatório produzido em juízo, ainda que mínimo, e os elementos inquisitoriais entram apenas de forma complementar. A jurisprudência do STJ e do STF é firme nesse sentido: a pronúncia não pode se apoiar exclusivamente em prova inquisitorial, justamente para evitar um "salto" da investigação para o júri sem base judicializada. Por isso, a alternativa correta é a que diz ser inadmissível a pronúncia sem qualquer lastro probatório produzido em juízo e fundada exclusivamente em elementos informativos da fase inquisitorial. Isso traduz a lógica do art. 155 do CPP, que veda a condenação com base exclusiva em elementos do inquérito, e também orienta a formação do convencimento na pronúncia, que não pode ser construída só na investigação. Resumo de prova: pronúncia pede prova da materialidade + indícios de autoria, com algum suporte judicializado. Inquérito sozinho, não. O júri decide depois; a pronúncia não pode começar a festa sem convidar o contraditório.

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