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Direito Processual Penal · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

Crézio, mediante esbarrão na vítima, subtraiu seu celular. Logo após a subtração, policiais militares que viram os fatos correram no encalço de Crézio e efetivaram a sua prisão em flagrante. Em sede de audiência de custódia, Crézio informou que praticou o fato em virtude da necessidade imposta pela perda do emprego, bem como para sustentar seu filho que possui 3 anos e é portador de deficiência. Um amigo de Crézio entregou ao(à) Defensor(a) Público(a) a certidão de nascimento do filho de Crézio e uma declaração de que apenas este cuida do seu filho, já que a mãe da criança se encontra em local incerto. Na audiência de custódia, o julgador, após constatar a legalidade prisional, converteu a prisão em flagrante em preventiva, em virtude dos antecedentes de Crézio, ainda que tecnicamente primário. Considerando o caso narrado, é correto afirmar que:

Gabarito: C

A prisão domiciliar é uma forma de cumprimento da prisão preventiva fora do cárcere, com natureza cautelar sim. Ela aparece no art. 318 do CPP e pode ser aplicada quando a lei protege situações especiais, como a responsabilidade pelos cuidados de filho pequeno ou com deficiência. Ou seja: não é um “passe livre”, mas também não é um prêmio de consolação para o Estado organizar melhor o sistema prisional. No caso, Crézio afirmou ser o único responsável pelo filho de 3 anos e portador de deficiência, e isso foi reforçado por certidão de nascimento e declaração de terceiro. Nessa hipótese, o art. 318 do CPP admite a substituição da preventiva pela domiciliar, porque a proteção da criança e da pessoa com deficiência pesa muito nessa balança. O fato de haver antecedentes não impede, por si só, a domiciliar, já que a lei não exige primariedade para essa substituição. O ponto que faz a alternativa C ficar correta é a leitura ampliada do STF no HC coletivo 143.641/SP: a proteção pensada para mães pode ser estendida ao pai, quando ele for o único cuidador e estiver preenchendo a mesma função de referência familiar. A ideia é evitar que a criança fique desamparada por uma prisão cautelar do responsável exclusivo. Então, aqui o raciocínio é simples: há previsão legal para a domiciliar, há prova documental da situação familiar e não existe impedimento automático só porque Crézio tem antecedentes. O processo penal até pode ser duro, mas não precisa ser insensível.

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