← Questões de Direito Processual Penal

Direito Processual Penal · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

O Ministério Público ofereceu denúncia em face de Carlos pela suposta prática do crime de falsidade ideológica em documento público. Após livre distribuição, a ação penal foi distribuída para juízo em que atua o magistrado Caio, que vem a ser casado com a irmã do promotor de justiça responsável pelo oferecimento da inicial acusatória. Caio somente tomou conhecimento dos fatos após o recebimento da denúncia. Considerando apenas as informações narradas, a defesa técnica de Carlos:

Gabarito: B

Aqui a ideia central é separar duas coisas que a prova adora misturar: impedimento e suspeição. O impedimento é causa mais grave, objetiva, e a lei trata com bem menos paciência, porque atinge a própria estrutura de imparcialidade do juiz. Já a suspeição é mais subjetiva, ligada a motivos como amizade íntima, inimizade, interesse etc. No CPP, o art. 252 traz hipóteses de impedimento do magistrado, incluindo quando ele tiver cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o 3º grau, atuando como órgão do Ministério Público no processo. Como Caio é casado com a irmã do promotor, há vínculo de afinidade com o membro do MP que ofereceu a denúncia. Isso encaixa exatamente na regra legal de impedimento. O detalhe de Caio só ter tomado conhecimento depois do recebimento da denúncia não salva a situação. Impedimento não é 'pequeno descuido processual': é vício objetivo que pode ser reconhecido e alegado para afastar o julgador. A defesa, portanto, pode sim sustentar que Caio não deve atuar no feito. Em resumo: a banca quer que você veja a relação familiar com o promotor e lembre do art. 252 do CPP. Se o juiz tem ligação de parentesco com quem atua no processo nessa posição, o nome do problema é impedimento, não suspeição.

Continue treinando

Questões relacionadas