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Direito Processual Penal · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Processual Penal

Carlos foi vítima de calúnia perpetrada por João, quando ambos estavam comemorando o aniversário de Patrícia em uma casa de festas em Nova Iguaçu. Quatro meses após os fatos, Carlos, que mora em Niterói, registrou a ocorrência e apresentou queixa-crime na Comarca de Volta Redonda, local onde reside João. De acordo com as informações acima apresentadas, o juízo de Volta Redonda deverá:

Gabarito: E

A questão mistura dois pontos clássicos: natureza da ação penal e regra de competência. Calúnia, como regra, é crime de ação penal privada, então quem leva a queixa ao Judiciário é o ofendido, por meio de advogado, e não o Ministério Público. Aqui, Carlos ainda agiu dentro do prazo decadencial de 6 meses do art. 38 do CPP, porque só passaram 4 meses desde os fatos. Na competência territorial, em regra, o CPP adota o lugar da infração (art. 70). Mas existe uma exceção importante para a ação penal exclusivamente privada: o querelante pode optar pelo foro do domicílio ou residência do réu, mesmo que já saiba onde o fato aconteceu. É a regra do art. 73 do CPP, feita justamente para dar mais flexibilidade ao ofendido. Por isso, como João mora em Volta Redonda e a ação é privada, o juízo dessa comarca pode receber a queixa-crime. A lógica é simples: em ação privada, o querelante não fica preso ao local do crime como única porta de entrada. Resumo de prova: em crime de ação penal privada, se o querelante quiser, pode escolher o foro do réu. A banca adora trocar essa exceção pela regra geral do lugar da infração.

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