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Direito Processual Penal · FGV · 2015

Questão comentada de Direito Processual Penal

Ao final de audiência de instrução e julgamento realizada em determinada vara criminal, o juiz solicita que o advogado não deixe o recinto, bem como que ele atue em outras duas audiências que ali seriam realizadas em seguida. O advogado recusa-se a participar das outras duas audiências mencionadas, até mesmo por haver Defensor Público disponível. Com base no caso exposto, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

Aqui a ideia central é simples: advogado não é “coringa” de audiência para preencher qualquer buraco da pauta. Ele tem deveres profissionais, sim, mas não pode ser compelido a assumir causa ou ato processual fora das hipóteses legais. No caso, o juiz pediu que ele permanecesse e atuasse em outras duas audiências, mas havia Defensor Público disponível, o que afasta a situação excepcional que justificaria a nomeação do advogado para aquele ato. Pelo Estatuto da OAB, a infração disciplinar ligada à recusa de assistência jurídica só aparece quando o advogado, sem justo motivo, recusa atuar após nomeação em razão da impossibilidade da Defensoria Pública. Essa é a chave da questão. Se existe Defensoria disponível, não se configura essa hipótese excepcional de substituição forçada do defensor natural do caso. Ou seja: o advogado pode, legitimamente, recusar participar das outras audiências, porque não há o pressuposto legal que transformaria a recusa em infração disciplinar. A banca quer que você perceba a diferença entre um pedido do juiz e uma nomeação com fundamento na impossibilidade da Defensoria. Sem esse detalhe, não há infração ética nessa recusa. Fundamento útil: art. 34, XVI, da Lei 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB), que trata da recusa injustificada de assistência jurídica quando o advogado é nomeado diante da impossibilidade da Defensoria Pública.

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