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Direito Processual Penal · FGV · 2015

Questão comentada de Direito Processual Penal

Após regular instrução processual, Flávio foi condenado pela prática do crime de tráfico ilícito de entorpecentes a uma pena privativa de liberdade de cinco anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado, e 500 dias-multa. Intimado da sentença, sem assistência da defesa técnica, Flávio renunciou ao direito de recorrer, pois havia confessado a prática delitiva. Rafael, advogado de Flávio, porém, interpôs recurso de apelação dentro do prazo legal, buscando a mudança do regime de pena. Neste caso, é correto dizer que o recurso apresentado por Rafael

Gabarito: D

No processo penal, a renúncia ao direito de recorrer até existe, mas não é um “vale-tudo”. Como a defesa técnica é indispensável, a desistência ou renúncia feita pelo réu sem assistência do advogado não produz efeito válido. A lógica é simples: ninguém deve abrir mão de um recurso importante sem orientação técnica, principalmente depois de uma condenação. Aqui, Flávio renunciou ao recurso sozinho, sem defensor. Esse ato não impede que o advogado interponha apelação no prazo legal. Por isso, o recurso de Rafael deve ser conhecido: a renúncia foi feita sem a presença da defesa técnica e não pode bloquear o exercício regular do direito de recorrer. Esse entendimento é compatível com a CF, art. 5º, LV, que assegura contraditório e ampla defesa, e com a ideia de que a defesa técnica é indisponível em sua essência. A jurisprudência dos tribunais superiores também trata com bastante cautela qualquer renúncia de direito recursal feita sem orientação jurídica adequada. Em resumo: no processo penal, até pode haver renúncia, mas ela precisa ser válida. Sem defensor, o ato fica comprometido, e a apelação do advogado segue normalmente.

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