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Direito Processual Penal · FGV · 2014

Questão comentada de Direito Processual Penal

O Delegado de Polícia, desconfiado de que Fabiano é o líder de uma quadrilha que realiza assaltos à mão armada na região, decide, com a sua equipe, realizar uma interceptação telefônica sem autorização judicial. Durante algumas semanas, escutaram diversas conversas, por meio das quais descobriram o local onde a res furtiva era armazenada para posterior revenda. Com essa informação, o Delegado de Polícia representou pela busca e apreensão a ser realizada na residência suspeita, sendo tal diligência autorizada pelo Juízo competente. Munidos do mandado de busca e apreensão, ingressam na residência encontrando diversos objetos fruto de roubo, como joias, celulares, documentos de identidade etc., tudo conforme indicou a interceptação telefônica. Assim, Fabiano foi conduzido à Delegacia, onde se registrou a ocorrência. Acerca do caso narrado, assinale a opção correta.

Gabarito: D

Aqui a palavra-chave é prova ilícita e contaminação. A Constituição protege o sigilo das comunicações telefônicas e só permite interceptação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, na forma da Lei 9.296/1996. Se o delegado resolve ouvir conversas por conta própria, sem autorização do juiz, a interceptação nasce ilegal desde a origem. E o problema não para aí. Quando uma prova ilícita gera outras provas, entra em cena a teoria dos frutos da árvore envenenada, prevista no art. 157, caput e parágrafos, do CPP. Ou seja: o que foi descoberto por meio da interceptação clandestina também fica contaminado, salvo alguma fonte independente ou descoberta inevitável, o que não aparece no caso. No enunciado, a busca e apreensão até foi autorizada judicialmente, mas a autorização foi obtida com base exclusiva na interceptação ilegal. Então a diligência deriva de prova ilícita e, por isso, é inadmissível. Sem prova válida, não há justa causa idônea para sustentar a persecução penal com base nesse material. Resumo de prova: interceptação telefônica sem ordem judicial é ilícita, e o que nasce dela tende a cair junto. Por isso, o gabarito é a letra D.

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