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Direito Processual Penal · FGV · 2014

Questão comentada de Direito Processual Penal

Fábio, vítima de calúnia realizada por Renato e Abel, decide mover ação penal privada em face de ambos. Após o ajuizamento da ação, os autos são encaminhados ao Ministério Público, pois Fábio pretende desistir da ação penal privada movida apenas em face de Renato para prosseguir em face de Abel. Diante dos fatos narrados, assinale a opção correta.

Gabarito: B

Na ação penal privada, a regra é a indivisibilidade: se a ofensa foi praticada por mais de uma pessoa, a queixa deve alcançar todos os autores conhecidos. A ideia é simples: o querelante não pode escolher um réu para “tirar da jogada” e seguir contra outro como se o processo fosse um cardápio. O Código de Processo Penal trata disso no art. 48, ao afirmar que a queixa contra qualquer dos autores obriga o processo de todos. Por isso, quando Fábio propõe a ação contra Renato e Abel, ele assume a lógica da indivisibilidade. Depois de ajuizada a queixa, ele não pode desistir apenas em face de Renato para prosseguir contra Abel. Em termos técnicos, a desistência parcial esbarra justamente nessa característica da ação privada. A doutrina costuma reforçar que, em crimes de ação privada, a iniciativa é do ofendido, mas dentro de limites legais que impedem escolhas seletivas entre coautores. É diferente de uma situação em que a lei autorize alguma forma de separação excepcional. Aqui, não há essa permissão. Se houve pluralidade de autores e todos são conhecidos, a persecução privada deve abranger todos, sob pena de violação da indivisibilidade. O Ministério Público, inclusive, atua como fiscal dessa regra. Assim, o gabarito é a alternativa B: Fábio não pode desistir da ação penal apenas em face de Renato. A tentativa de manter a ação contra Abel, isolando Renato, contraria a estrutura legal da queixa privada.

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