O princípio da confiança no juiz da causa é
- A)suposto princípio que viola os princípios do contraditório e da identidade física do juiz ao admitir, ainda que em casos excepcionais, a produção probatória por juízo diverso do sentenciante.
Incorreta: a alternativa fala de produção probatória por juízo diverso e identidade física do juiz, tema que não define o pseudoprincípio da confiança no juiz da causa.
- B)princípio que está em consonância com a figura do juiz das garantias, prevista a partir da Lei federal nº 13.964/2019, porém atualmente com sua eficácia suspensa.
Incorreta: juiz das garantias busca separar funções investigatórias e decisórias; além disso, o estado atual do instituto mudou após o julgamento das ADIs pelo STF.
- C)princípio que está em consonância com o processo acusatório ao exigir que o juiz se abstenha de servir no processo quando houver incompatibilidade ou impedimento legal.
Incorreta: impedimentos e incompatibilidades do juiz dizem respeito à imparcialidade e ao juiz natural, não ao argumento de deferência subjetiva ao juiz da causa.
- D)suposto princípio que viola o dever de motivação e fundamentação das decisões judiciais, sendo invocado nos casos em que resta ausente suporte adequado na decisão impugnada.
Correta: o princípio é criticado como argumento que dispensa ou enfraquece a fundamentação adequada, sustentando a decisão pela confiança no juiz próximo dos fatos.
- E)princípio que, à semelhança do princípio do duplo grau de jurisdição, está previsto expressamente na Convenção Americana de Direitos Humanos, da qual o Estado Brasileiro é signatário.
Incorreta: não há previsão expressa desse princípio na Convenção Americana de Direitos Humanos.
Gabarito: D
O chamado princípio da confiança no juiz da causa é criticado como pseudoprincípio quando usado para manter decisões apenas porque o juiz de primeiro grau estaria mais próximo dos fatos. Em processo penal democrático, decisão judicial precisa de fundamentação concreta e controlável, não de confiança subjetiva no julgador. Esse debate dialoga com o dever constitucional de motivação e com o controle de cautelares e habeas corpus.