De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o acordo de não persecução penal
- A)exige confissão formal e circunstanciada do fato criminoso pelo acusado, sendo que a pretensão do afastamento desse requisito é compatível com a via do habeas corpus.
Incorreta: a confissão é requisito do ANPP, mas afastá-la por habeas corpus não é a tese jurisprudencial adequada; a análise envolve pressupostos negociais e controle do art. 28-A do CPP.
- B)deve ser executado perante o juízo que o homologou, o qual poderá deprecar a fiscalização do cumprimento do ajuste e a prática de atos processuais para o atual domicílio do acusado.
Correta: a competência permanece com o juízo que homologou o ANPP, podendo haver deprecação para fiscalização no domicílio atual do beneficiário.
- C)se aplica a fatos ocorridos antes da vigência da Lei federal nº 13.964/2019, desde que seja proposto pelo Ministério Público antes de eventual sentença condenatória.
Incorreta: a aplicação retroativa do ANPP é tema próprio e não corresponde à tese específica sobre execução e competência indicada pela jurisprudência pesquisada.
- D)pode ser oferecido ou recusado pelo Ministério Público, porém, em caso de recusa, o Parquet tem o dever de intimar o acusado para que possa recorrer da decisão.
Incorreta: a recusa do Ministério Público é submetida ao mecanismo do art. 28-A, §14, do CPP, não a um recurso comum do acusado contra decisão do Parquet.
- E)é cabível ao réu tecnicamente primário, sendo que sua recusa pelo Ministério Público em razão da existência de registros policiais e infracionais configura fundamentação inidônea.
Incorreta: registros policiais e infracionais podem ser considerados na análise de suficiência e necessidade do acordo, conforme o caso; a primariedade técnica não gera direito automático ao ANPP.
Gabarito: B
Segundo o STJ, o cumprimento das condições do ANPP fica ligado ao juízo que homologou o acordo, que pode deprecar ao juízo do domicílio do beneficiário apenas a fiscalização e a prática de atos necessários. A lógica é tratar o ANPP homologado como título judicial executável, sem deslocar automaticamente a competência decisória para o domicílio do acusado.