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Direito Processual Penal · FCC · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

Márcia, domiciliada na cidade de Caruaru, foi vítima de estelionato mediante transferência de valores em agência de banco privado do município de Maceió, estado de Alagoas. Concluído o inquérito policial e havendo justa causa para a ação penal, a denúncia deverá ser oferecida pelo Órgão do Ministério Público

Gabarito: A

Em regra, a competência territorial no processo penal segue o lugar da consumação do crime, nos termos do art. 70 do CPP. No estelionato, o ponto central é descobrir onde ocorreu o prejuízo patrimonial da vítima, porque é ali que a fraude se completa. Em fraudes com transferência de valores, a jurisprudência costuma prestigiar o local em que a vítima foi efetivamente lesada, normalmente o seu domicílio, quando ali se consumou o dano. Neste caso, Márcia é domiciliada em Caruaru e o enunciado indica um estelionato por transferência de valores, sem falar em interesse da União nem em órgão federal envolvido. Isso afasta a Justiça Federal e mantém a competência da Justiça Estadual. Como a consumação, para fins de competência, se liga ao local do dano suportado pela vítima, a denúncia deve ser oferecida pelo Ministério Público estadual com atribuição em Caruaru. A banca FCC gosta muito de cobrar essa leitura prática da territorialidade: não basta olhar só onde o dinheiro passou fisicamente ou onde estava a agência bancária. O que manda aqui é o local do resultado lesivo, especialmente em crimes patrimoniais praticados por fraude. Por isso, o gabarito aponta Caruaru como o foro competente. Resumo de prova: estelionato sem elemento federal, Justiça Estadual; e, na lógica da consumação do dano, foro do local em que a vítima sofreu o prejuízo, aqui Caruaru.

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