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Direito Processual Penal · FCC · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

Mariana, de 30 anos, já sofreu violência doméstica há alguns anos e participa de um grupo de acompanhamento para mulheres que enfrentaram essa situação. Relata que o atendimento policial foi realizado por uma servidora e que durante todo o processo teve que ter contato direto com o agressor. Participou de inúmeras inquirições sobre a violência vivida e teve de relatar, por várias vezes, particularidades da vida privada. Também foi a responsável por entregar a notificação para o agressor. Estava com dúvidas se os procedimentos efetuados foram corretos e solicitou esclarecimentos. Com base na Lei Maria da Penha,

Gabarito: B

A Lei Maria da Penha não trata a mulher em situação de violência como se ela tivesse de reviver o trauma a cada etapa do procedimento. A lógica da lei é de proteção, acolhimento e redução de revitimização, evitando exposição desnecessária, contato com o agressor e perguntas repetitivas sobre a vida íntima quando isso não agrega à apuração dos fatos. Por isso, o enunciado descreve práticas problemáticas: inquirições sucessivas sobre o mesmo episódio, cobrança de detalhes da vida privada e contato direto com o agressor. Esse tipo de conduta contraria a finalidade protetiva da Lei 11.340/2006 e a orientação de evitar a chamada revitimização. O ponto central da questão está na intimação ou notificação. A ofendida não deve ser colocada na posição de levar documentos ao agressor, porque isso a expõe a risco e inverte a lógica protetiva do procedimento. A comunicação ao agressor deve ser feita pelos meios oficiais e por quem tenha atribuição para isso. Assim, o gabarito é a letra B: está incorreto fazer a mulher entregar a intimação ou notificação ao agressor. A lei busca justamente afastar a vítima de qualquer contato que reforce o ciclo de violência, mantendo a atuação estatal em posição ativa e protetiva.

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