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Direito Processual Penal · FCC · 2022

Questão comentada de Direito Processual Penal

Segundo expressamente disposto na Lei federal n° 11.340/2006, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão, baseada no gênero e ocorrida

Gabarito: A

A Lei Maria da Penha define, no art. 5o, que há violência doméstica e familiar contra a mulher quando a ação ou omissão for baseada no gênero e ocorrer no âmbito da unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto. O ponto-chave aqui é que não precisa haver coabitação: o agressor pode conviver ou ter convivido com a ofendida, e isso já basta para atrair a proteção da lei. No caso da relação íntima de afeto, a lei é bem ampla. Ela alcança situações com ou sem convivência sob o mesmo teto, porque o foco está na relação afetiva e na assimetria de poder, não no endereço compartilhado. Isso impede que a proteção fique presa a uma visão antiga de que violência doméstica só existe dentro da mesma casa. A alternativa A reproduz essa ideia quase literalmente: fala em qualquer relação íntima de afeto, com agressor que conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. É exatamente a redação do art. 5o, III, da Lei 11.340/2006. Para fechar a conta: a lei foi feita para ampliar proteção, não para restringir. Por isso, quando a banca tenta exigir coabitação obrigatória ou excluir relações afetivas por orientação sexual, ela está contrariando o texto legal e a lógica protetiva da norma.

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